CAMPEÃO NACIONAL de Gloster Fancy e Arlequim Português

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20100726

Fator Mosaico

"Como criador e Juiz de canários de cor, desde muito jovem dedico a minha atenção a este maravilhoso canário, que tantas paixões suscitam.

Muitos criadores do factor mosaico, são constantemente confrontados com diversas situações, não conseguindo obter respostas.

Muitos juízes (nacionais ou internacionais) têm um critério diferente de avaliação nas exposições que participam.

Como exemplo os criadores belgas e holandeses, apreciam um canário mosaico, que apresente um manto muito branco, luminoso, não dando tanta importância à intensidade do vermelho nas zonas de eleição (máscara grande e cheia - ombros e rabadilha, com um vermelho intenso e remiges completamente brancas).

Em contrapartida os criadores italianos especialistas no factor mosaico e muito mais avançados apreciam uma ave com uma cor mais profunda o que permite um maior contraste (combinação do vermelho intenso, luminoso nas referidas zonas de eleição com um branco imaculado).

Considerando que o gene mosaico (m) está influenciado pelo sexo e não ligado ao sexo.

O gene mosaico alelo (gene que determina o mesmo carácter) a saber dos genes intensos e nevados ao qual o gene mosaico determina a distribuição do pigmento amarelo ou vermelho, em determinadas zonas do corpo (zonas de eleição).

Cabeça
Ombros (com intensidade máxima)
Rabadilha

Os genes intenso e nevado (são alelos entre si) pois determinam a distribuição do lipocromo nas penas do canário.

Dito isto, facilmente compreendemos como alguns canários mosaicos, apresentam nevadura nas zonas de eleição, outros o inverso são mais intensos, pelo que são mais valorizados nas exposições.

Quando um canário apresenta uma simples dose do gene nevado (uniformidade lipocromica) ou do gene mosaico (distribuição localizada) o fenótipo que apresenta é intermédio, já que os genes são codominantes (pois têm igual força genética) produzem no entanto um fenótipo mesclado entre ambos os caracteres.

As fêmeas apresentam um fenótipo de machos mosaicos (máscara na cabeça) e os machos em fenótipo de fêmeas (máscara partida).

Modelo Mosaico

Na criação de canário mosaico, é difícil estabelecer prioridades.

Como exigência do criador, torna-se necessário estabelecer um modelo de mosaico completo (máscara cheia - intensa, peito muito marcado) para os machos, ao contrário a fêmea deve apresentar, lipocromos intensos e uma bela linha ocular (fêmea de exposição).
Uma cabeça bem redonda, para fazer realçar a máscara.

A presença dum factor "óptico" que determina a intensidade do lipocromo e o factor "craie" que determina um manto branco opaco, luminoso e sedoso.

Presentemente os especialistas deste factor, possuem conhecimentos profundos exigindo do criador uma orientação certa para a linha que pretendem criar, a saber:

Linha Macho
Linha Fêmea
Linha intermediária

Significa que teremos 3 linhas distintas

Linha Macho
tipo 2

Macho máscara cheia e lipocromos intensos X Fêmea com máscara e lipocromos intensos.

Deste cruzamento apenas resultam machos para as exposições, pois apresentam as características referenciadas.

As Fêmeas apresentam lipocromo intenso na cabeça (máscaras umas maiores outras menores) não servem para exposições,mas são de grande utilidade para produzirem bons machos.


Lipocromo Vermelho Mosaico Macho

Lipocromo Vermelho Mosaico Fêmea linha macho

Linha Fêmea
tipo 1

Macho com máscaras reduzidas ao mínimo sem lipocromo sob o bico idênticos as fêmeas, que são utilizadas no cruzamento n° 1. X Fêmea apenas com uma bela linha ocular (exposição) mas sempre com um lipocromo intenso.

Deste cruzamento resultam belas fêmeas, para serem expostas em concurso.

Quanto aos machos, apresentam as características idênticas às fêmeas referenciadas no cruzamento n° 1 não servindo para as exposições.

Lipocromo Vermelho Mosaico Macho linha fêmea

Lipocromo Vermelho Mosaico Fêmea

Linha Intermediária

Macho com máscara intensa, mas com menos intensidade de lipocromos(zona de eleição da cabeça delimitada na sua extensão) X Fêmea apenas com uma bela linha ocular, ou com máscara.

Deste cruzamento resultam:

Machos intermédios
Fêmeas de exposição
Fêmeas com máscara mais ou menos intensa

Nota importante:

O mosaico é um verdadeiro canário de desenho, sendo o contraste de cores, de grande importância na sua selecção.

Ao contrário do que muitos criadores de ideias tradicionais pensavam e diziam, que era benéfica a introdução do factor marfim em possíveis acasalamentos, este conceito é totalmente errado.

O factor marfim introduzido nos canários com factor mosaico (vermelho ou amarelo) diminui a qualidade da cor de fundo, conduzindo-nos automaticamente a um modelo de canário, menos colorido (intensidade diminuída) e como consequência uma perda enorme do contraste do vermelho ou amarelo intenso com a cor branca.

No entanto o factor marfim, têm outra característica importante, conduzindo-nos ao melhoramento da plumagem o que é bem positivo neste acasalamento."

Fonte: Carlos Lima
Juiz Internacional / O.M.J.

Mosaicos

"As particularidades e características dos canários chamados “Mosaicos”.

Entre essas características destacamos o chamado contraste de cores que, aliada ao dimorfismo sexual, torna essa variedade uma das mais belas entre os canários de cor criados pelo homem.

Entre os canários enquadrados na categoria de mosaicos, o que exerce essa característica em seu maior grau, está o vermelho mosaico.

Com apenas o branco e o vermelho alternando-se em partes específicas de sua plumagem, como descreveremos a seguir, o exemplar assume características admiráveis.

Para que isto ocorra, além da distribuição geográfica do branco e do vermelho, que deve obedecer ao padrão de excelência de cor, conforme será discutido, as ditas cores deverão apresentar-se com o maior brilho e a maior pureza possível.

Como os vermelhos mosaicos apresentam diformismo sexual acentuado (significa que machos e fêmeas são diferentes entre si), passamos a descrever inicialmente os machos.

Macho




A manifestação “geográfica” do vermelho se dá nas seguintes regiões do corpo do canário:

Máscara facial
Ombros
Uropígio
Peito

Essa manifestação geográfica, que também é chamada de desenho, é um elemento fundamental na avaliação dos mosaicos.

Não devem existir áreas difusas nos limites da manifestação da cor, ou seja, sempre deve haver uma “fronteira” bem definida, separando uma cor da outra, ou seja, o branco e o vermelho.

Quanto mais nítida essa fronteira, maior a valorização do exemplar.

Um vermelho mosaico macho, deverá apresentar máscara facial, que é a região ao redor do bico, passando pelos olhos, de cor vermelho vivo.

Quando olhamos o exemplo de frente, devemos observar um anel vermelho ao redor do bico.

Quando olhamos lateralmente, devemos ver um “triângulo”com vértices na testa, região posterior ao olho e região inferior ao bico.

Os ombros, que devem ser destacados e bem definidos, são a região onde, normalmente, a cor vermelha é mais intensa.

O vermelho deve estender-se levemente até as asas.

O uropígio também deve ter cor intensa e ser bem delimitado.

Na região central do peito, o vermelho mosaico macho deverá apresentar também vermelho de cor intensa, distribuindo-se com a forma aproximada de um triângulo.

O restante do corpo do exemplar deverá ser o mais branco possível.

Fêmea



As fêmeas do vermelho mosaico apresentam o corpo predominantemente branco, com as manifestações do vermelho nas mesmas regiões dos machos, tendo apenas a sua área de alteração mais restrita.

A principal diferença está na máscara facial que, enquanto no macho é grande, na fêmea se apresenta com um traço vermelho na altura dos olhos, que deve ser curti, bem delimitado e nítido.

Outra região em que a manifestação do vermelho é bem diferente do macho é a do peito, que deve ser o mais branco possível."

Fonte:
Joăo Silva
na Animal Pet

Fatores Mosaico

"Os factores mosaicos no plural, porquê? Existem com efeito vários factores "mosaico", ou antes diversos dimorfismos provenientes de origens diferentes:

1 - Cardinalito da Venezuela:
2 - Canários ingleses do tipo Gloster;
3 - Serinus cini e outros.


O factor mosaico que foi captado no Cardinalito da Venezuela é de longe, a meu ver, o dimorfismo mais qualitativo , porque as aves "mosaico" próximas do Cardinalito possuem todos os pontos de eleição de um lipocromo perfeito em intensidade, não tendo "schimel" (nevado), uma plumagem muito curta e uma delicadeza de pena inigualável.

De notar que no Cardinalito da Venezuela existem dois tipos de aves, um deles possuindo uma grande banda branca que, partindo do abdómen, sobe no sentido do peito. É este tipo que se deve acasalar para melhorar o facto mosaico.

As primeiras aves "mosaico" apareceram na Holanda a partir do cruzamento Cardinalito da Venezuela x Vermelho lipocromo. O trabalho rigoroso e a selecção que daí resultou, trouxe fêmeas mosaico muito belas, quer em melanina quer em lipocromo, mas trataremos agora apenas do mosaico Vermelho Lipocromo. Estas fêmeas apresentavam-se de cor branca cré sobre o dorso e pontos de eleição dum belo vermelho vivo e luminoso; as linhas oculares muito finas, embora bem distintas. A pena era de tal modo fina que o lipocromo sobressaia no meio do branco neve.

Recordo-me de uma fêmea que adquiri por intermédio de Mario Ascheri. Tal fêmea era originaria de uma linhagem holandesa (º nº de "Stam" 4942, criador célebre) porque a pena dessas aves podia ser comparada com a seda. Não me posso esquecer disso, pois o branco cré era de uma brancura magnífica, devido à delicadeza inigualável da pena.

Diga-se de passagem que não era necessário o recurso a "lavagens especiais" com champôs para cães brancos, ao contrário do que é hoje praticado por criadores de canários mosaicos, tanto a nível nacional como internacional.

Os pontos de eleição do "protótipo" mosaico eram de um vermelho intenso, "luminoso" e sem "schimmel". Esta é a prova viva do factor qualitativo mosaico fornecido pelo Cardinalito da Venezuela.

Os machos, pelo contrário não eram nada de espectaculares e não podiam ser aves de concurso, pelo menos segundo os critérios actuais. Estes últimos apresentavam "schimmel" dorsal importante, com um lipocromo muito intenso nas espáduas, peito, cabeça e uropígeo.

Os melhores machos apresentavam um abdómen muito branco, que se prolongava para cima sobre o peito. O conjunto era sempre caracterizado por uma plumagem bastante curta e bem luminosa. Eis o que há quanto ao factor mosaico qualitativo.

Seguidamente um factor quantitativo foi introduzido no mosaico por criadores italianos, e Mario Ascheri, em visita à exposição de Reggio Emília de 1969, ficou maravilhado com um stam de machos que possuíam um tipo mosaico diferente, muito mais espectacular.

A máscara bem vermelha destacava-se nitidamente do peito, as espáduas e uropígeo eram os de uma fêmea, no entanto com um pouco mais de rosa sobre o dorso e no peito.

Isto foi uma revolução e este mosaicos foram denominados "Novo Tipo". É evidente que Mario Ascheri os adquiriu, e mais tarde eu adquiri um macho. Pelo estudo desse macho, compreendi que a estrutura das penas tinha mudado: o branco era menos luminoso e a cabeça mais forte, as patas mais curtas, os olhos ligeiramente rasgados e amendoados. O conjunto da ave era mais pesado do que o mosaico que criávamos.

Todos os criadores de mosaico se precipitaram e toda a gente reproduziu esse tipo de mosaico. Mas há sempre o reverso da medalha.

A selecção que se seguiu foi conduzida no mau sentido, e por força de manter mais branco, o lipocromo, quer nos machos quer nas fêmeas, tornava-se pálido, a pena alongava-se à medida que prosseguiam os acasalamentos, o traço do olho (nas fêmeas) desapareceu para dar lugar a "lunetas", ou melhor, mascarilhas de um lipocromo pálido. A seguir apareceram os quistos.

Entretanto compreendi que esse factor mosaico foi captado dos canários ingleses do tipo Gloster. Para o verificar refiz os mesmos acasalamentos e cheguei aos mesmos resultados.

Era necessário suprimir os defeitos produzidos por esse novo factor mosaico, embora conservando as qualidades. A única forma era partir de novo de Cardinalito da Venezuela.

Só este acasalamento permitia:
- Restituir o lipocromo intensivo.
- Encurtar as penas.
- Modificar em parte a estrutura da pena
- Reencontrar a parte do mosaico inicial por modificação da estrutura da pena.

Actualmente, após esses diferentes acasalamentos, podemos considerar que os mosaicos vermelhos são belos exemplares, todavia com um objectivo a nunca perder de vista: Ligar Intimamente o Factor Qualitativo e o factor Quantitativo. Nunca esquecer que é o protótipo ou modelo mosaico perfeito da fêmea que reflecte a qualidade do casal.

Uma boa máscara no macho não é forçosamente uma qualidade para dar boas fêmeas. Existem com efeito machos mosaicos em concursos que possuem uma bela máscara, bem cotada, que não passam de mosaicos "reles" (à francesa, mosaiques "BIDON"…).

Se os observarmos mais de perto apercebemo-nos de que:

- a estrutura da pena é mais espessa; logo, afastada do Cardinalito;
- o lipocromo desce no abdómen quase até à cauda.
- A tipicidade dos traços finos no olho é muito importante, pois tudo daí parte para obter uma linha mosaico de qualidade.

É falso pretender-se que existem fêmeas para fazer machos, e machos para fazer fêmeas. Alguns criadores lançaram essa teoria há alguns anos, defendendo que fêmeas possuindo muito lipocromo na máscara melhorariam os factores mosaico no macho, e que machos tendo uma pequena máscara dariam boas fêmeas. É uma Falácia!

As qualidades de um mosaico traduzir-se-ão por:

Macho:

- Uma máscara muito intensa.
- Um lipocromo muito vermelho nos pontos de eleição, sem "schimmel" no meio.
- Um branco muito luminoso (sem recurso a champô…) para as partes brancas.
Uma plumagem muito curta e marcada em lipocromo,.
Um branco cré, bem luminoso no abdómen, subindo em direcção ao alto do peito.

Eis um macho que dará boas fêmeas.

Fêmea:

- Plumagem sedosa.
- Pontos de eleição muito vermelhos.
- Traço ocular bem marcado, sem lunetas, ou máscara ligeira.

Eis uma fêmea que dará bons machos mosaicos.

Nos dois casos, as rémiges deverão ser brancas, pois aumentar-se-à a qualidade do factor vermelho. Isto obtém-se por selecção; no entanto, uma alimentação à base de papa contendo corantes amarelos artificiais pode pigmentar as rémiges, da mesma forma que:

- Tratamentos antibióticos.
- Verdura na altura da criação.
- Muito ovo de galinha do campo. O amarelo pode cobrir as rémiges.

É por isso que tenho muito cuidado com a alimentação dos mosaicos e emprego papa seca sem corantes artificiais, com a qual as crias se desenvolvem muito bem, não obrigando ao recurso a antibióticos nos momentos das criações."

Fonte: Michel Darrigues, Juiz Francês O.M.J.

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